Categoria: Brasil

  • TSE cassa, por unanimidade, mandato de Deltan Dallagnol

    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indeferiu nesta terça-feira o registro de candidatura do deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos-PR). Na prática, isso significa a cassação do mandato. Pela decisão, os votos recebidos por Deltan serão destinados ao seu partido.

    A decisão deve ser cumprida imediatamente. Deltan ainda poderá apresentar recurso ao próprio TSE e ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas já sem o mandato.

    Iniciada em março de 2014, conjunto de investigações contra a corrupção já levou à prisão desde empresários a políticos, incluindo dois ex-presidentes da República

    A decisão foi tomada por unanimidade. Todos os ministros seguiram a posição do relator, ministro Benedito Gonçalves, que considerou que Deltan pediu exoneração do cargo de procurador para evitar uma eventual punição administrativa, que poderia torná-lo inelegível.

    — Constata-se, assim, que o recorrido agiu para fraudar a lei, uma vez que praticou, de forma capciosa e deliberada, uma série de atos para obstar processos administrativos disciplinares contra si e, portanto, elidir a inelegibilidade — afirmou Gonçalves em seu voto.

    Após a apresentação do voto do relator, que durou cerca de minutos, os demais ministros informaram apenas que não iriam divergir, sem apresentar votos separados. Assim, seguiram Gonçalves o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, e os ministros Cármen Lúcia, Carlos Horbach, Nunes Marques, Raul Araújo e Sérgio Banhos.

    O pedido de cassação foi apresentado pela federação PT, PCdoB e PV e pelo PMN. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) rejeitou o pedido, mas os partidos recorreram ao TSE.

    Deltan Dallagnol esteve à frente da força-tarefa da Operação Lava-Jato em Curitiba até o fim das atividades do grupo. Ele deixou o cargo de procurador no Paraná para se candidatar a deputado federal no ano passado, alcançando a maior votação do estado.

    Fonte: Extra Globo
  • Enfermeira diz à PF que emprestou senha para secretário apagar registros de vacinação de Bolsonaro contra a Covid

    Em depoimento à Polícia Federal (PF), a enfermeira Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva disse que emprestou sua senha para o então secretário municipal de governo de Duque de Caxias, João Carlos de Sousa Brecha, excluir registros de vacinação contra a Covid-19 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

    A PF investiga um grupo suspeito de inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. Os fatos são apurados na Operação Venire. O conteúdo do depoimento foi divulgado incialmente pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmado pela TV Globo.

    De acordo com as investigações, os sistemas do Ministério da Saúde indicam que duas doses de vacinas contra Covid teriam sido aplicadas em Jair Bolsonaro.

    Os dados, segundo os investigadores, foram inseridos no Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações em 21 de dezembro de 2022 por Brecha.

    Uma semana depois, no dia 27 de dezembro, as informações foram excluídas do sistema por Claudia, sob alegação de “erro”. Ela foi um dos alvos da operação.

    À PF, a servidora afirmou que foi procurada pelo secretário municipal de governo, mas não recebeu informações sobre quais registros seriam excluídos sob a justificativa de não “envolvê-la em problemas, uma vez que se tratavam de pessoas relevantes e conhecidas”.

    Cláudia afirmou que emprestou a senha, porque acreditava que a exclusão dos registros seria “idônea” e disse não ter visto “qualquer má fé” no pedido. A enfermeira disse ainda que só começou a ajudar Brecha após solicitação de sua chefe, a secretária de Saúde, Célia Serrano.

    A servidora declarou à PF que não conhece pessoalmente Brecha e que os dois apenas trocaram mensagens de whatsapp.

    Operação Venire

    Conforme as investigações, teriam sido forjados dados nos cartões do hoje ex-presidente Jair Bolsonaro, da filha de Bolsonaro, hoje com 12 anos, do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, da esposa e da filha dele.

    Essa suposta falsificação teria o objetivo de garantir a entrada de Bolsonaro, familiares e auxiliares próximos nos Estados Unidos, burlando a regra de vacinação obrigatória.

    Após a operação, Bolsonaro afirmou que “não houve adulteração” da sua parte. Na operação, batizada de Venire, seis pessoas foram presas pela PF:

    – Mauro Cid Barbosa, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro;

    – o sargento Luis Marcos dos Reis, que era da equipe de Mauro Cid;

    – o ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros;

    – o policial militar Max Guilherme, que atuou na segurança presidencial;

    – o militar do Exército Sérgio Cordeiro, que também atuava na proteção pessoal de Bolsonaro;

    – o secretário municipal de Governo de Duque de Caxias (RJ), João Carlos de Sousa Brecha.

    Outro lado

    O assessor de Bolsonaro, Fabio Wajngarten, disse que o presidente não sabia do uso das senhas e que não precisava de comprovante de vacinação para entrar nos EUA.

    “O presidente Bolsonaro não se vacinou, como já disse reiterada vezes. Não conhece o uso de quaisquer senhas que tenham sido usadas em seu nome ou para uma suposta vacinação com o objetivo de viajar para os EUA. Como já informado à imprensa, ele não precisava de comprovação para ingressar nesse país”.

    Bernardo Fenelon, advogado de Mauro Cid, afirmou que, “por respeito ao Supremo Tribunal Federal, toda e qualquer manifestação defensiva será feita nos autos do processo”.

    Já a Prefeitura de Duque de Caxias informou que “através da Secretaria Municipal de Saúde, após a divulgação da operação Venire, da Polícia Federal, instaurou uma sindicância, no dia 04/05/2023, para apurar os fatos e responsabilidades acerca das circunstâncias supostamente ocorridas no âmbito municipal”.

    Fonte: g1

  • Linhas de transmissão de energia elétrica provocaram queda de avião de Marília Mendonça, diz relatório

    As linhas de transmissão de energia elétrica da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foram o fator principal do acidente aéreo que matou a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas, em novembro de 2021, no distrito de Piedade de Caratinga, no município de Caratinga (MG).

    A conclusão consta do relatório final apresentado, nesta segunda-feira (15), pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão militar subordinado ao Comando da Aeronáutica. O laudo do acidente também descartou erro humano do piloto da aeronave Geraldo Martins de Medeiros, e falhas mecânicas e operacionais da aeronave.

    O relatório final sobre a perícia feita pelo Cenipa foi apresentado aos advogados e familiares das cinco vítimas, na tarde de hoje. O documento ficará disponível ao público ainda nesta segunda-feira.

    O Cenipa esclarece ainda que as investigações realizadas não buscam estabelecer culpa ou responsabilidade de quem quer que seja. O objetivo é entender as circunstâncias do acidente para aprimorar as medidas de segurança de voos, evitar novos acidentes aéreos e, consequentemente, preservar vidas.

    Após a apresentação do documento, o advogado Robson Cunha, que representa as famílias da cantora e também do tio e assessor da artista Abicieli Silveira Dias Filho, comentou os próximos passos. “Se eles [os cabos] estão dentro de uma área ou não passível de ter essa identificação é o que agora nós vamos tratar na esfera judicial”.

    O advogado também pediu rapidez na conclusão do inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais. “Eu até faço um clamor para que haja uma celeridade na entrega deste inquérito policial. Porque, a partir daí, nós vamos poder nos manifestar. A gente vai poder ter a oportunidade, no processo, de tratar desse assunto”.

    O acidente

    A cantora Marília Mendonça e as outras pessoas morreram após a queda da aeronave modelo Beech Aircraft, prefixo PT-ONJ, momentos antes do pouso. O avião caiu em uma cachoeira do distrito de Piedade de Caratinga, no município de Caratinga (MG).

    A cantora, apelidada pelos fãs de Rainha da Sofrência, tinha 26 anos e colecionava vários sucessos musicais do gênero sertanejo. Os demais ocupantes da aeronave de pequeno porte eram: o produtor Henrique Ribeiro, o tio e assessor da artista, Abicieli Silveira Dias Filho; o piloto Geraldo Martins de Medeiros; e o copiloto da aeronave Tarciso Pessoa Viana. Não houve sobreviventes.

    O avião decolou do aeroporto de Santa Genoveva, em Goiânia (GO). A cantora se apresentaria naquela mesma noite, em Caratinga.

    Ainda na data das mortes, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) confirmou, por meio de nota, que o bimotor atingiu um cabo de uma torre de distribuição de energia elétrica quando se aproximava do aeródromo de Ubaporanga. Em seguida, caiu no curso d’água, o que vitimou todos os ocupantes da aeronave.

    Fonte: Daniella Almeida/Denise Griesinger Agência Brasil.

  • Petrobras anuncia nova política de preços de combustíveis

    A Petrobras anunciou na manhã desta terça-feira (16) o fim da paridade de preços do petróleo – e dos combustíveis derivados, como gasolina e diesel – com o dólar e o mercado internacional.

    Pela regra atual, em vigor desde 2.016, o preço desses produtos no mercado interno acompanha as oscilações internacionais, ou seja, não há intervenção do governo para garantir preços menores.

    A Petrobras anunciou o fim desse mecanismo automático.

    “Os reajustes continuarão sendo feitos sem periodicidade definida, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio”, diz o comunicado.

    Segundo a nota oficial da Petrobras, a nova “estratégia comercial” usa duas referências de mercado:

    o “custo alternativo do cliente, como valor a ser priorizado na precificação”, e o “valor marginal para a Petrobras”.

    “O custo alternativo do cliente contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos”, explica o comunicado da Petrobras.

     Já o “valor marginal”, segundo a petroleira, é “baseado no custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia dentre elas, produção, importação e exportação do referido produto e/ou dos petróleos utilizados no refino”.

    “Com a mudança, a Petrobras tem mais flexibilidade para praticar preços competitivos, se valendo de suas melhores condições de produção e logística e disputando mercado com outros atores que comercializam combustíveis no Brasil, como distribuidores e importadores”, diz o texto.

    O comunicado da Petrobras, no entanto, não apresenta uma fórmula clara indicando qual será o peso de cada fator no novo cálculo.

    Desde a campanha, o hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vinha falando em “abrasileirar” o preço dos combustíveis. O que, de modo geral, significa criar mecanismos para reduzir o impacto dessas oscilações internacionais do petróleo nas bombas dos postos.

    Em um comunicado no último domingo (14), a Petrobras informou que analisaria o tema nesta semana.

    Prates fala em manter competitividade

    Na sexta-feira (12), o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, já havia antecipado que a petroleira deveria decidir nesta semana sobre os reajustes de combustíveis e a nova política de preços praticada pela estatal.

    Questionado sobre o novo critério utilizado para definição de preços nas refinarias, Prates afirmou que será o de “estabilidade versus volatilidade”. Segundo ele, o novo formato deverá evitar tanto a estagnação de preços quanto o que chamou de “maratona” de reajustes.

    “Não precisamos voltar ao tempo em que não houve nenhum reajuste no ano inteiro. Em 2.006 e em 2.007 aconteceu isso. E também não precisamos viver dentro da maratona de 118 reajustes para um único combustível, como foi em 2.017, o que levou à crise enorme da greve dos caminhoneiros”, afirmou ele, na ocasião.

    Prates disse também que, mesmo com a mudança, a Petrobras continuará seguindo a referência internacional e mantendo a competitividade interna. “Nós não vamos perder venda. Não vamos deixar de ter o preço mais atrativo para os nossos clientes.”

    O presidente mencionou também a produção brasileira dentro da composição de preços, citando a estrutura de escoamento, de transporte, a capacidade de refino e a fonte de petróleo do país.

    “Tudo isso faz parte de um modelo de preços empresarial que a Petrobras vai conversar melhor na semana que vem”, concluiu.

    Fonte: G1

  • O passaporte vermelho do homem da mala: mídia nacional repercute documento diplomático recebido por Ney Suassuna a pedido de Veneziano

    O site O Antagonista, trouxe nesta segunda-feira (15), a informação de que o ex-senador e ex-ministro de FHC, paraibano Ney Suassuna recebeu passaporte diplomático mesmo sem ocupar cargo de proeminência nacional Senado.

    De acordo com a matéria, “Suassuna não tem mandato parlamentar. O último de seus dois mandatos terminou há 16 anos — ele assumiu como suplente de Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) apenas uma vez, entre 2020 e 2021”.

    “Ney Suassuna ganhou um passaporte diplomático válido por dois anos do Ministério das Relações Exteriores de Lula. A decisão, assinada pelo chanceler Mauro Vieira, foi formalizada nesta segunda-feira (15) e atende a um pedido da Vice-Presidência do Senado” revela.

    Ou seja, o pedido teria vindo do senador Veneziano.

    A reportagem ainda lembra que o ex-ministro era conhecido, em Brasília, como “o homem da mala” , por andar com uma valise.

    “Figura influente na articulação política entre os anos 1990 e 2000, Suassuna foi saindo dos holofotes à medida que seu nome era vinculado a seguidos escândalos de corrupção (o STF arquivou uma denúncia sobre tráfico de influência na estatal de águas e esgoto do Rio de Janeiro)” relembra O Antagonista.

    Fonte: Blog do Ninja

  • Alexandre de Moraes atende pedido da PGR e abre inquérito contra dirigentes do Google e do Telegram

    O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu hoje (12) abrir inquérito para apurar a conduta de dirigentes do Google e do Telegram em relação ao projeto de lei para combater a desinformação nas redes sociais (PL 2.630/2020).

    O pedido de investigação foi feito ontem (11) pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A medida foi tomada após o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), acionar a procuradoria e solicitar a investigação. Para Lira, as redes sociais têm feito “contundente a abusiva” ação contra o projeto, que está em tramitação na Casa.

    Pela decisão de Moraes, a Polícia Federal (PF) terá prazo de 60 dias para realizar as investigações.

    Segundo o presidente da Câmara, as empresas que operam as redes sociais utilizam “campanha de desinformação” e provocam a sobrecarga nos sistemas de tecnologia da informação da Câmara ao fomentar que os usuários pressionem os deputados por meio de link que remete ao portal da Casa na internet.

    Na quarta-feira (10), Moraes mandou o Telegram apagar uma mensagem enviada aos usuários da plataforma contra à aprovação do projeto de lei.

    Na mensagem em massa disparada na terça-feira, o Telegram Brasil alega que o projeto de lei representa “um ataque à democracia”. Segundo a plataforma, o PL “concede poderes de censura” ao governo federal e cria um sistema de vigilância permanente que “matará a Internet moderna”, se o PL for aprovado pelo Congresso Nacional.

    Moraes escreveu na decisão que o inquérito vai investigar os diretores que participaram da “campanha abusiva” contra o projeto.

    “Defiro as diligências requeridas e determino a identificação e oitiva dos representados – todos os diretores e demais responsáveis da Google Brasil e Telegram Brasil que tenham participado da campanha abusiva contra o Projeto de Lei n. 2.630/2020”, decidiu.

    A Agência Brasil entrou em contato com a assessoria de comunicação do Google e aguarda retorno. A assessoria do Telegram não foi encontrada.

    Fonte: André Richter/Juliana Andrade – Agência Brasil.

  • Mauro Cid tentou driblar grampo, mas PF já mapeou seus celulares

    O ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, bem que tentou driblar um possível monitoramento dos seus celulares por parte do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mas a Polícia Federal já conseguiu mapear as linhas registradas no exterior pelo militar.

    Uma dessas linhas foi aberta por Cid nos últimos dias do governo Bolsonaro, quando o ex-ajudante de ordens acompanhou o ex-presidente em viagem aos Estados Unidos. Naquele momento, Cid suspeitava que poderia ser grampeado pelo Supremo e então teria adquirido a linha de uma operadora daquele país.

    Ajude a financiar o documentário da Fórum Filmes sobre os atos golpistas de 8 de janeiro. Clique em https://bit.ly/doc8dejaneiro e escolha o valor que puder ou faça uma doação pela nossa chave: pix@revistaforum.com.br.

    De posse dos números, a PF agora trabalha para recuperar uma série de dados de conversas, especialmente mensagens de texto a áudios. Preso no último dia 3 de maio sob suspeita de operar um esquema de fraudes em cartões de vacinação de Bolsonaro, sua família e entorno, Cid é peça-chave para uma série de investigações que envolvem o ex-mandatário.

    O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro é investigado em pelo menos três inquéritos além dos cartões de vacinação. São eles o caso das joias sauditas, das milícias digitais e da intentona golpista de 8 de janeiro.

    Além disso, nas últimas semanas têm sido revelados outros possíveis escândalos. Desde propriedades de luxo, como mansões nos EUA registradas no chamado “Cid Family Trust”, que podem ser de Bolsonaro dado o caráter dos “trusts” na legislação americana – que funcionam como um meio para preservar o dono de uma propriedade registrando-a no nome de uma associação de confiança –, até as recentes descobertas de depósitos em dinheiro vivo para a ex-primeira-dama que fazem os investigadores suspeitarem de um esquema de rachadinhas no Palácio do Planalto. Dessa forma, o cerco ao ex-ajudante de ordens e ao próprio ex-presidente vai se fechando.

    Fonte: Revista Fórum

  • Chefe de setor de presentes da Presidência entregou à PF mensagens de Mauro Cid sobre joias; veja print

    A defesa de Marcelo Vieira da Silva, alvo da PF nesta sexta-feira (12), entregou à polícia uma troca de mensagens em que Mauro Cid, ex-assessor de Bolsonaro, envia a minuta de um ofício para a incorporação das joias sauditas ao patrimônio do ex-presidente. O pedido era para que Vieira, que trabalhava no setor de presentes, assinasse o documento que seria enviado à Receita para tentativa de resgate das joias. (Veja o print abaixo)

    Segundo a defesa de Marcelo, a minuta foi enviada em 27 de dezembro de 2022. O documento tinha como assunto a “incorporação de bens apreendidos”.

    Mensagens trocadas por Marcelo Vieira e Mauro Cid — Foto: Reprodução

    Mensagens trocadas por Marcelo Vieira e Mauro Cid — Foto: Reprodução

    Vieira era chefe do Gabinete Adjunto de Documentação Histórica da Presidência da República (GADH), setor que definia o caminho dos presentes enviados ao presidente – se eram pessoais ou da União. O objetivo era que ele assinasse para que o documento fosse entregue à Receita Federal e conseguissem o resgate das joias às vésperas da saída de Bolsonaro do Brasil.

    Vieira, no entanto, se recusou a assinar pois não seria sua função.

    “Meu amigo, conseguiu resolver? Sem dúvidas, isto é com a secretaria de administração, por ser destinado ao estado brasileiro”.

    Ao longo do inquérito das joias, há uma troca de e-mails que mostra a operação de Cid para a liberação das joias e ele é alertado pelos fiscais de que seria necessário um ofício do governo assinado pela Secretaria de Administração.

    Em depoimento à PF, Marcelo chegou a dizer ainda que após a recusa participou de uma ligação com Bolsonaro. Durante o contato, contou à PF que “Mauro Cid colocou a ligação no modo viva-voz e pediu ao declarante para que explicasse ao Presidente da República essa situação e por que não poderia assinar.”

    A PF aceitou e a enviou 4 dias depois, em 18 de abril, apenas o print da conversa com Cid. A polícia recorreu à Justiça que determinou nesta sexta-feira a busca e apreensão do telefone.

    Ao g1, o advogado Luiz Eduardo Kuntz, que defende Marcelo Vieira, disse que ficou “surpreso com a invasão dos direitos de Vieira depois que ele prestou um depoimento de seis horas e foi colaborativo”. “Ele mostrou o celular para os policiais que o interrogaram, e, não satisfeitos, tiramos print e entregamos aos investigadores”, declarou.

    Fonte: G1

  • Mandetta diz que erros do governo Bolsonaro no enfrentamento da pandemia podem ter causado cerca de 350 mil mortes

    “Poderíamos ter evitado metade dos mortos. Se tivesse feito a campanha direitinho, falando todos a mesma língua, diminuindo a velocidade de transmissão, teríamos tido um resultado muito melhor”, avalia Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, em sua primeira entrevista após a Organização Mundial de Saúde (OMS) ter decretado o fim da emergência sanitária mundial.

    Pela estimativa de Mandetta, dos cerca de 700 mil óbitos ocorridos no Brasil – que representam 10% dos registros no mundo – as mortes de 350 mil pessoas por Covid-19 poderiam ter sido evitadas se o governo Jair Bolsonaro não tivesse politizado o enfrentamento da doença e desmantelado a coordenação unificada do Ministério da Saúde no combate à pandemia.

    Em balanço retrospectivo do enfrentamento da pandemia pelo governo federal, Mandetta afirma que Bolsonaro fez tudo o que um chefe de estado não deveria, naquele cenário de pandemia, se quisesse salvar vidas. “Quando iniciamos o enfrentamento, tivemos alguns princípios: proteger a vida incondicionalmente, manter a coordenação do enfrentamento no Ministério da Saúde, usando o SUS como meio e a ciência para decidir. Eram os pilares de nossa estratégia”, afirma Mandetta.

    “Mas a ideia dele (Bolsonaro) era retirar o Ministério da Saúde do enfrentamento, deixando isso a cargo de governadores e prefeitos, ficando o presidente como crítico e oposição, transformando a vida de governadores e prefeitos num inferno”, avalia o ex-ministro.

    “As pessoas acham que ele é louco, mas foi decisão política, com começo, meio e fim. Foi decisão deliberada e consciente, porque informei por escrito e avisei qual era a projeção de mortes nesse cenário de confusão informacional e de falta de coordenação de Brasília, caso fosse adotada a tese da imunidade de rebanho, dentro da máxima do Paulo Guedes de que entre economia e saúde, ficaria com a economia”, revela Mandetta.

    A primeira providência de Jair Bolsonaro, depois da exoneração de Mandetta – e na sequência, a saída de Nelson Teich – foi desmantelar a estrutura unificada no Ministério da Saúde sob o Sistema Único de Saúde (SUS), com um grupo técnico de pesquisadores e profissionais das maiores instituições brasileiras, em contato permanente com os principais centros de pesquisa do mundo, para o embasamento do processo decisório.

    Também a estrutura de comunicação permanente com a sociedade, para esclarecimento devido, evitando o charlatanismo nas mídias digitais, foi interrompida. A imprensa brasileira precisou se organizar em consórcio para acompanhar e divulgar as estatísticas da Covid-19, o que era papel do Ministério da Saúde.

    “Fizeram uma intervenção militar no Ministério da Saúde, com o que tem de mais desqualificado no Exército, o pessoal de logística. Se o Exército tem generais da área da saúde, por que não colocaram um deles? Porque queriam uma pessoa servil, que sem compromisso com o combate à Covid-19”, afirma o ex-ministro.

    “Foi uma decisão política que levou muitas pessoas à morte. E não foi decisão política tomada sem ter sido avisado. Fizemos três cenários, e o cenário mais pessimista que projetamos, foi exatamente aquele que Bolsonaro escolheu: o caos informacional e a desarticulação do sistema de saúde. Bolsonaro foi para esse cenário de forma completamente consciente. E eu mandei por escrito”, diz Mandetta.

    Caos nos estados

    Sem consenso em Brasília, os entes federados já não trabalhavam juntos. Governadores e prefeitos bolsonaristas adotavam a narrativa negacionista em confronto com governadores e prefeitos que seguiam as orientações científicas.

    O grau de politização no trato à doença transbordou para diversas instituições brasileiras, inclusive o Conselho Federal de Medicina, que, em tese, foi criado para zelar pela boa prática médica.

    “Chegamos ao fundo do poço. O Conselho Federal de Medicina valida essa narrativa negacionista e cria dois tipos de médicos na ponta: aquele que dava cloroquina e aquele que não dava. Politizaram a própria prática médica”, assinala Mandetta.

    Atraso das vacinas

    Depois de ignorar as oportunidades de adquirir de laboratórios internacionais as vacinas mais rapidamente, também a imunização foi politizada e Jair Bolsonaro iniciou a pregação contra as vacinas. “Politizaram a vacina, porque acharam que haveria imunidade de rebanho. Não adotaram a minha recomendação, que era de comprar a vacina cedo. Eu assinei e induzi a Fiocruz ao acordo de cooperação com a Oxford e disse vamos apoiar o Butantã com a China. Senão não teríamos tido vacina”, relembra Mandetta, registrando que na segunda onda da Covid-19, morreram, entre 31 de dezembro e 31 de julho, quase 380 mil pessoas.

    “Foi um número absurdo de óbitos no primeiro semestre de 2021”, aponta ele. “E foi aquela barbaridade, aquela vergonha de Manaus. E o que fazem? Vão para Manaus e mandaram grupos de pacientes para todas as capitais brasileiras. Os pacientes com a cepa delta”, diz ele, explicando que uma mudinha da cepa foi colocada em cada lugar de concentração humana no Brasil.

    “Foi o nosso desespero. Curitiba, São Paulo ficaram quase sem oxigênio. Não existe país no mundo em condições de produzir oxigênio para o país todo com consumo 38 vezes maior do que a média. Foi nosso maior pesadelo. Chegaram a morrer 4.500 pessoas em um único dia”, aponta.

    Erros no plano internacional

    No plano internacional, também houve erros, aponta Mandetta. A começar pela falta de transparência e de informações  no momento em que a doença foi detectada em Wuhan, na China.

    “A Orgnização Mundial de Saúde (OMS) fez algo atípico: considerou uma emergência para a cidade de Wuhan e um alerta internacional. Mas o mundo estava sob a indefinição: não sabia se estava diante de um vírus que não iria sair daquela região, não conhecia a velocidade de propagação os números de contágio”, diz Mandetta.

    Quando a Itália entrou em colapso, a China parou de exportar e começaram a faltar insumos como máscaras, agulha e outros, em todo o mundo. “Foi erro mundial concentrar na economia de escala a compra de elementos essenciais de um único país”, diz Mandetta.

    Sistematização de erros e acertos

    Para Mandetta, o momento agora é de o Ministério da Saúde promover congressos e reuniões de trabalho para sistematizar a experiência, identificando erros e acertos no enfrentamento da Covid-19, de modo a deixar a contribuição para as gerações futuras no enfrentamento das pandemias que virão.

    “É uma questão de tempo”, diz o ex-ministro, que também aponta para o histórico precário das determinantes sociais em saúde no Brasil. “A Covid-19 foi doença infecciosa que ingressou no país pelas classes ricas, diferentemente do que normalmente acontece. Mas sabíamos que seria uma questão de tempo para alcançar as nossas fragilidades”, diz Mandetta.

    “Quando vem uma doença assim, ela cobra um preço enorme da falta de políticas públicas para que as pessoas tenham moradias Como vamos falar de higiene com o Rio de Janeiro, que tem 40% das pessoas em área de exclusão social absoluta, sem saneamento?  E nós falando em isolamento para famílias que vivem em casas de 20m2, sem pia para lavar mão. Essa lição, as nossas determinantes sociais em saúde seguem como nosso ponto fraco”, diz ele.

    Erros cometidos no enfrentamento da pandemia

    No Brasil

    – Jair Bolsonaro desmantelou o comando do enfrentamento à Covid-19 que em princípio fora centralizado no Ministério da Saúde. Com a centralização do processo de tomada de  decisões, pretendia-se garantir que o Ministério da Saúde, governadores, prefeitos em interação com a sociedade, prestassem a mesma orientação, evitando ruídos. Nesse comando centralizado estruturado por Mandetta, havia a participação de representantes dos conselhos nacional de secretários estaduais e municipais da saúde; pesquisadores e técnicos das maiores instituições nacionais, em interlocução permanente com centros internacionais de pesquisa, para a tomada de decisão forte e embasada do ponto de vista científico. Jair Bolsonaro fez intervenção militar no Ministério da Saúde e desarticulou toda a estrutura;

    – Interrupção do diálogo aberto com a sociedade, em coletivas e boletins diários promovidos em princípio pelo Ministério da Saúde, para esclarecer as práticas ao enfrentamento, dentro da compreensão o vírus ataca a sociedade, o que requer o engajamento de todos;

    – Interrupção da divulgação das estatísticas da doença, o que foi assumido pelo consórcio de imprensa, função que seria do Ministério da Saúde. Dentro da estratégia de desqualificar a gravidade da doença, ajudou a disseminar narrativas falsas, até mesmo relacionadas ao registro de óbitos;

    – Ao adotar o negacionismo trumpista em relação à gravidade da Covid-19, desinformava a população sobre as formas de evitar o contágio – como o uso da máscara, lavar as mãos, não aglomerar;

    – Politização extrema do enfrentamento da doença,  dentro da falsa tese de promover a imunidade de rebanho, não através da vacinação, mas pelo livre contágio, o que levou a mais mortes, à medida em que, sem controlar a velocidade da transmissão, o sistema de saúde colapsou em vários estados;

    – Jogou as populações contra prefeitos e governadores que, na ausência da coordenação do Ministério da Saúde , faziam o enfrentamento: estimulou ao descumprimento das medidas de proteção;  atacou todas as medidas que destinavam-se a reduzir a velocidade da transmissão do vírus, promovendo aglomerações e defendendo o não uso de máscara; demorou a adquirir as vacinas e atacou essa forma de imunização.

    Erros no plano internacional

    – Falta de transparência internacional no momento em que foi detectada a doença; o mundo teve pouca informação até a doença alcançar a Itália e colapsar o sistema de saúde;

    – Concentração mundial da compra de itens essenciais á saúde – máscaras, agulhas, em único país, no caso, a China, que respondia, por exemplo, por 94% da produção mundial de máscaras; um quinto da produção de respiradores, além de insumos para a produção de vacinas. Ao interromper a exportação para dar conta da demanda interna, o enfrentamento em todo o mundo foi afetado.

    Fonte: EM

  • ROLO DAS APOSTAS – Polícia Federal vai investigar Máfia das Apostas e grupo suspeito de manipular resultados de jogos de futebol

    A Polícia Federal vai abrir um inquérito sobre a chamada Máfia das Apostas e um grupo suspeito de manipular jogos das séries A e B do Campeonato Brasileiro e de torneios estaduais, entre 2.022 e 2.023. A decisão foi tomada após determinação do ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, nesta quarta-feira (10).

    “Diante de indícios de manipulação de resultados em competições esportivas, com repercussão interestadual e até internacional, estou determinando hoje que seja instaurado Inquérito na Polícia Federal para as investigações legalmente cabíveis”, escreveu Dino em uma rede social.


    A suspeita é que o grupo tenha atuado em ao menos 13 jogos, das séries A e B do Brasileirão do ano passado e dos campeonatos Paulista e Gaúcho de 2.023. Os jogadores envolvidos poderiam receber até 100 mil reais. Especialistas consultados dizem que os atletas envolvidos podem pegar de dois a seis anos de prisão e ser banidos do futebol.

    Na terça-feira (9), a Justiça de Goiás aceitou a denúncia e tornou rés 16 pessoas envolvidas no esquema. Ao todo, são sete jogadores e nove apostadores. A denúncia foi enviada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) ao Tribunal de Justiça de Goiás. A Confederação Brasilera de Futebol (CBF), contudo, não vai suspender o Brasileirão. 

    Jogos sob suspeita de manipulação

    2.022

    Palmeiras X Juventude — Brasileirão, Série A

    Goiás X Juventude — Brasileirão, Série A

    Ceará X Cuiabá — Brasileirão, Série A

    Sport X Operário-PR — Brasileirão, Série B

    Red Bull Bragantino X América-MG — Brasileirão, Série A

    Santos X Avaí  — Brasileirão, Série A

    Botafogo X Santos — Brasileirão, Série A

    Palmeiras X Cuiabá — Brasileirão, Série A

    2.023

    Guarani X Portuguesa-SP — Campeonato Paulista

    Red Bull Bragantino X Portuguesa — Campeonato Paulista

    Bento Gonçalves X Novo Hamburgo — Campeonato Gaúcho

    Caxias X São Luiz-RS — Campeonato Gaúcho

    Na denúncia, o MP de Goiás também pede a todos os denunciados que paguem, em grupo, um valor mínimo de R$ 2 milhões para reparar o dano moral coletivo.

    “O parâmetro utilizado para a definição do valor refere-se a uma das expectativas de lucro do grupo criminoso com a utilização de dezenas de contas que foram empregadas nas apostas manipuladas descritas na denúncia”, diz o órgão.

    Redação com R-7 / Imagem: Reprodução divulgação PF