{"id":120349,"date":"2023-09-23T09:36:02","date_gmt":"2023-09-23T12:36:02","guid":{"rendered":"https:\/\/snn.net.br\/?p=120349"},"modified":"2023-09-23T09:36:02","modified_gmt":"2023-09-23T12:36:02","slug":"economistas-divergem-sobre-novas-estimativas-do-governo-para-o-pib-2023","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=120349","title":{"rendered":"Economistas divergem sobre novas estimativas do governo para o PIB 2023"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\">A decis\u00e3o do governo de subir\u00a0a estimativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2023\u00a0divide\u00a0a opini\u00e3o de especialistas que acompanham o dia-a-dia da economia. Segundo a Secretaria de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Minist\u00e9rio da Fazenda, a expectativa para o PIB deste ano subiu\u00a0de 2,5% para 3,2% por diversos motivos, como o aumento da expectativa da safra do agroneg\u00f3cio brasileiro. E\u00a0tamb\u00e9m\u00a0por causa de uma poss\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o da economia chinesa, no quarto trimestre deste ano.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O Brasil 61 saiu a campo para ouvir economistas sobre essas novas estimativas do Minist\u00e9rio da Fazenda\u00a0e constatou a diverg\u00eancia de opini\u00f5es. Enquanto especialistas como Andr\u00e9 Braz (economista\u00a0da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) e Jos\u00e9 M\u00e1rcio de Camargo (da Genial Investimentos) questionam que o governo tenha maior foco \u2014\u00a0segundo eles, no aumento da arrecada\u00e7\u00e3o e n\u00e3o na diminui\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos \u2014, o professor Jackson de Toni, do Ibmec Bras\u00edlia, destaca pontos positivos como a redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e a queda da taxa de juros.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/5552\/content_estimativas-3.png\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p dir=\"ltr\">Para de Toni, o Brasil\u00a0passa\u00a0por um processo de recupera\u00e7\u00e3o dos fundamentos da economia e de recupera\u00e7\u00e3o da credibilidade \u2013 tanto interna quanto externamente. Segundo ele, \u201co pa\u00eds ainda enfrenta muitos problemas com as altas taxas de juros, que come\u00e7aram a baixar agora, mas s\u00e3o as maiores do mundo e afastam os investidores \u2014\u00a0e tamb\u00e9m um d\u00e9ficit p\u00fablico que ainda \u00e9 alto em rela\u00e7\u00e3o ao PIB\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O professor de Economia do Ibmec lembra tamb\u00e9m que o pa\u00eds enfrenta problemas externos, como a crise na Argentina, terceira maior compradora de produtos brasileiros, a guerra comercial entre Estados Unidos e R\u00fassia \u2014\u00a0que afeta a economia mundial e o Brasil tamb\u00e9m \u2014\u00a0e a pr\u00f3pria guerra na Europa.<\/p>\n<h2 dir=\"ltr\">Not\u00edcias positivas<\/h2>\n<p dir=\"ltr\">\u201cMas temos muitas not\u00edcias positivas, [como] a redu\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, que vai ocasionar uma redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros, e j\u00e1 \u00e9 uma realidade. E em alguns setores de alimentos, por exemplo, h\u00e1 defla\u00e7\u00e3o, os pre\u00e7os est\u00e3o diminuindo, o desemprego caiu muito, o que aumenta a atividade econ\u00f4mica, porque a popula\u00e7\u00e3o tem mais renda e aquece o consumo\u201d, avalia.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">J\u00e1 o especialista Andr\u00e9 Braz defende que \u201co governo precisa, urgentemente, fazer a parte dele\u201d, no que diz respeito ao necess\u00e1rio corte de despesas. \u201cEle me parece que est\u00e1 muito pautado nas fontes de arrecada\u00e7\u00e3o, de onde ele aumenta a Receita, mas n\u00e3o exatamente do que pode ser cortado, que \u00e9 algo realmente que demora um pouco para ser planejado\u201d, afirma o economista da FGV.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode cortar de qualquer \u00e1rea, sob preju\u00edzo de atrasar ainda mais o desenvolvimento desse pa\u00eds, que j\u00e1 \u00e9 muito penalizado na agenda da educa\u00e7\u00e3o, na agenda da sa\u00fade\u201d, observa Braz. Imagina voc\u00ea com uma limita\u00e7\u00e3o de gastos nessas agendas, nesses pontos?\u201d, questiona.<\/p>\n<h2 dir=\"ltr\">Solu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis<\/h2>\n<p dir=\"ltr\">Conforme o economista, o governo n\u00e3o pode abandonar as fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis, mas tem o dever cortar custos. Por exemplo, revendo cadastros de fam\u00edlias em planos de assist\u00eancia ou unificando os planos de assist\u00eancia. Na vis\u00e3o dele, o governo deveria evitar o desperd\u00edcio e injusti\u00e7as unificando projetos sociais como Vale G\u00e1s; Vale Farm\u00e1cia; Minha Casa, Minha Vida; e parte do Bolsa Fam\u00edlia. \u201cA unifica\u00e7\u00e3o desses projetos e a revis\u00e3o desses cadastros j\u00e1 poderia ser uma medida de corte de custos, que voc\u00ea focaria naqueles que realmente t\u00eam necessidade de receber esse benef\u00edcio\u201d, sugere o especialista.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por outro lado, Andr\u00e9 Braz reconhece que todo in\u00edcio de mandato \u00e9 mais dif\u00edcil para qualquer governo: \u201cDe fato, as entregas n\u00e3o seriam assim t\u00e3o f\u00e1ceis. A primeira entrega foi anunciar o que seria feito no lado fiscal, e ainda que muitos analistas n\u00e3o acreditem, eu acredito que pode dar certo\u201d, destaca o economista, acrescentando uma vis\u00e3o otimista para o futuro: \u201cEnt\u00e3o eu n\u00e3o acho que a economia brasileira vai passar por um per\u00edodo de tortura daqui pra frente. E a gente vai ter uma fase de maior crescimento e menor turbul\u00eancia na nossa economia. Vamos esperar pelo menos at\u00e9 o segundo semestre do ano que vem\u201d, conclui.<\/p>\n<h2 dir=\"ltr\">\u201cPIB tende a parar de crescer\u201d<\/h2>\n<p dir=\"ltr\">Ao mesmo tempo, o economista Jos\u00e9 M\u00e1rcio de Camargo acredita que \u201co Brasil caminha claramente para uma situa\u00e7\u00e3o de aumento de gasto p\u00fablico, o d\u00e9ficit prim\u00e1rio, tanto em 2023 quanto em 2024, e com o aumento da rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida-PIB\u201d. Segundo o economista-chefe da Genial Investimentos, \u201co arcabou\u00e7o fiscal n\u00e3o para em p\u00e9, simplesmente, porque o aumento de despesa \u00e9 sempre maior que \u00e9 o aumento de receitas\u201d.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na vis\u00e3o de Camargo, o d\u00e9ficit p\u00fablico vai continuar aumentando e a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida-PIB vai continuar subindo. \u201cIsso significa que nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos, o terceiro mandato do presidente Lula deve fechar com uma rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida-PIB pr\u00f3xima de 90%, entre 90 e 93%\u201d, analisa ele. \u201c\u00c9 muito alto para um pa\u00eds emergente\u201d.<\/p>\n<h2 dir=\"ltr\">Voo de galinha<\/h2>\n<p dir=\"ltr\">O especialista entende que, no primeiro momento, o aumento de gasto p\u00fablico tende a gerar crescimento da economia, mas apenas num curto espa\u00e7o de tempo, como se o pa\u00eds ensaiasse um voo, mas n\u00e3o iria muito longe. \u201cPor\u00e9m, da mesma forma, o efeito sobre investimento tende a ser negativo, porque voc\u00ea tem uma esp\u00e9cie de<em> crowding out <\/em>de investimentos privados [quando o governo eleva os gastos p\u00fablicos, mas aumentam taxas de juros e diminuem investimentos privados]\u201d, afirma.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u201cIsso, na verdade, j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. A gente j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando a notar uma queda nos investimentos privados, que s\u00e3o substitu\u00eddos por um aumento de gastos p\u00fablicos. E, consequentemente, em algum momento, voc\u00ea bate no estoque de capacidade e a capacidade n\u00e3o aumenta e, consequentemente, o PIB para de crescer\u201d, analisa\u00a0Camargo.<\/p>\n<p>Fonte: Brasil 61<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A decis\u00e3o do governo de subir\u00a0a estimativa para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2023\u00a0divide\u00a0a opini\u00e3o de especialistas que acompanham o dia-a-dia da economia. 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