{"id":116614,"date":"2023-02-13T17:05:23","date_gmt":"2023-02-13T20:05:23","guid":{"rendered":"https:\/\/snn.com.br\/?p=116614"},"modified":"2023-02-13T17:05:23","modified_gmt":"2023-02-13T20:05:23","slug":"carnaval-bloco-coletivo-filhas-da-mae-chama-atencao-para-o-cuidado-com-cuidadores-de-pessoas-com-demencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=116614","title":{"rendered":"Carnaval: Bloco Coletivo Filhas da M\u00e3e chama aten\u00e7\u00e3o para o cuidado com cuidadores de pessoas com dem\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro contato de Cosette Castro, uma das coordenadoras do Coletivo<em> Filhas da M\u00e3e<\/em>, com uma dem\u00eancia, foi atrav\u00e9s da m\u00e3e, diagnosticada com Alzheimer em 2011. Alguns anos depois, o tio tamb\u00e9m teve o diagn\u00f3stico. Ela conta que cuidou da m\u00e3e por quase 10 anos, at\u00e9 seu falecimento em 2021. Cosette, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisadora e psicanalista, explica que ao participar de reuni\u00f5es com outros familiares percebeu que faltavam informa\u00e7\u00f5es sobre cuidados para quem cuida.<\/p>\n<p>\u201cUma coisa que as cuidadoras familiares observavam \u00e9 que n\u00e3o tinha um olhar para quem cuida, apenas um olhar e informa\u00e7\u00f5es sobre as doen\u00e7as. Ent\u00e3o estava muito focado em como cuidar; como lavar ; como dar banho; como dar rem\u00e9dio, mas ningu\u00e9m falava sobre o cuidado de quem cuida. Ent\u00e3o um grupo de mulheres filhas de m\u00e3es com dem\u00eancias, principalmente Alzheimer, \u00a0se reuniu exatamente para isso; acolher e oferecer informa\u00e7\u00f5es cuidado e autocuidado para outras mulheres que cuidam\u201d, afirma. Por isso, o nome \u201c<em>Filhas da M\u00e3e\u201d <\/em>foi escolhido.<\/p>\n<h2><strong>Projetos do Coletivo &#8220;Filhas da M\u00e3e&#8221;<\/strong><\/h2>\n<p>Dentre outras iniciativas, o Coletivo atuou \u00a0para a aprova\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica distrital para preven\u00e7\u00e3o, tratamento e apoio \u00e0s pessoas com doen\u00e7a de <em>Alzheimer<\/em> e outras dem\u00eancias, aos seus familiares e aos cuidadores (Lei 6.292\/21). \u201cIsso \u00e9 uma grande vit\u00f3ria do coletivo, com o apoio de outras entidades\u201d, afirma Cosette. Ela destaca ainda que \u201cal\u00e9m de pol\u00edticas p\u00fablicas, temos que ter pesquisa.\u201d<\/p>\n<p>Segundo a coordenadora, o Coletivo e outras institui\u00e7\u00f5es conseguiram emenda parlamentar \u00a0para tra\u00e7ar o perfil de pessoas com dem\u00eancia no DF. O \u201cEstudo sobre pessoas idosas com dem\u00eancia e cuidadores no Distrito Federal\u201d, apresentado em dezembro do \u00faltimo ano pelo Instituto de Pesquisa e Estat\u00edstica do DF (IPE-DF), mostra que as mulheres representam 81,6% do total de cuidadores familiares. Entre particulares, elas s\u00e3o 88,7% e em intui\u00e7\u00f5es, 79,4%. Segundo o levantamento, a rela\u00e7\u00e3o de parentesco, avaliada apenas para as cuidadoras familiares, apresentou os seguintes n\u00fameros: filha (61%); neta (11,5%); e esposa (9,2%).<\/p>\n<p>Cosette Castro destaca que o bloco \u00e9 focado na preven\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental das cuidadoras. Al\u00e9m disso, \u00e9 um importante espa\u00e7o de arte e cultura voltado para o cuidado dessas mulheres que assumem a responsabilidade por uma pessoa com dem\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cElas j\u00e1 sofrem de sobrecarga f\u00edsica, mental emocional e para que elas tenham momentos de preven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e de autocuidado e n\u00e3o passem apenas a vida cuidando dos outros. Porque em geral quem \u00e9 uma cuidadora familiar, em geral, precisa deixar o seu trabalho, o seu projeto de vida, seus estudos, \u00e0s vezes fam\u00edlias se separam. \u00c9 algo bem complicado. E n\u00e3o \u00e9 algo de um ou dois anos, em geral s\u00e3o 10, 15, 20 anos. Ou seja, a vida das pessoas muda radicalmente sem que elas tenham escolha\u201d, pontua.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de<em> Alzheimer <\/em>e (ABRAz) explica que por se tratar de uma doen\u00e7a progressiva, a pessoa diagnosticada com dem\u00eancia perde autonomia e independ\u00eancia, o que faz a doen\u00e7a afetar n\u00e3o s\u00f3 a vida da pessoa que recebeu o diagn\u00f3stico, mas tamb\u00e9m a de toda a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cCom a perda da capacidade de realiza\u00e7\u00e3o e a configura\u00e7\u00e3o de um quadro de incapacita\u00e7\u00e3o, as dem\u00eancias exigem a presen\u00e7a de cuidadores de maneira progressiva. No est\u00e1gio inicial, geralmente, o acompanhamento do paciente pode ser \u00e0 dist\u00e2ncia, pois ele mant\u00e9m certa autonomia. No est\u00e1gio moderado da doen\u00e7a, h\u00e1 maior exposi\u00e7\u00e3o a riscos e o monitoramento passa a ser necess\u00e1rio e crescente. No est\u00e1gio avan\u00e7ado, os cuidados tendem a ser constantes. Em cada etapa h\u00e1 desafios pr\u00f3prios, que requerem flexibilidade para uma boa adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as\u201d, diz a ABRAz.<\/p>\n<p>O Coletivo <em>Filhas da M\u00e3e <\/em>promove neste s\u00e1bado (11) um Esquenta Carnaval com oficina gratuita de Customiza\u00e7\u00e3o de Camisetas, nas Superquadra Criativa da 307 Sul. Nos meses de janeiro e fevereiro, o Coletivo realiza oficinas pr\u00e9-carnaval como forma de promover um espa\u00e7o de sa\u00fade mental, conversas, afeto e cuidado entre as mulheres cuidadoras.<\/p>\n<h2><strong>Alzheimer<\/strong><\/h2>\n<p>Cerca de 2 milh\u00f5es de pessoas vivem com alguma forma de dem\u00eancia no Brasil. O n\u00famero pode triplicar at\u00e9 2050. De acordo com o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o<em> Alzheimer <\/em>\u00e9 uma doen\u00e7a neurodegenerativa mais recorrente na popula\u00e7\u00e3o com 65 anos ou mais. Os sintomas costumam aparecer alguns anos antes em detalhes do dia a dia, como esquecimento, troca de nomes, repeti\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as de comportamento.<\/p>\n<p><strong>Principais sintomas<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>falta de mem\u00f3ria para acontecimentos recentes;<\/li>\n<li>repeti\u00e7\u00e3o da mesma pergunta v\u00e1rias vezes;<\/li>\n<li>dificuldade para acompanhar conversa\u00e7\u00f5es ou pensamentos complexos;<\/li>\n<li>incapacidade de elaborar estrat\u00e9gias para resolver problemas;<\/li>\n<li>dificuldade para dirigir autom\u00f3vel e encontrar caminhos conhecidos;<\/li>\n<li>dificuldade para encontrar palavras que exprimam id\u00e9ias ou sentimentos pessoais;<\/li>\n<li>irritabilidade, desconfian\u00e7a injustificada, agressividade, passividade, interpreta\u00e7\u00f5es erradas de est\u00edmulos visuais ou auditivos, tend\u00eancia ao isolamento.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O<em> Alzhemier<\/em> n\u00e3o tem cura, mas o tratamento ajuda a retardar a evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, al\u00e9m do tratamento medicamentoso, existem tamb\u00e9m outras formas de amenizar os sintomas. S\u00e3o elas: reabilita\u00e7\u00e3o cognitiva; terapia ocupacional; controle de press\u00e3o alta, diabetes e colesterol; atividade f\u00edsica regular; e atendimento multiprofissional disciplinar \u2014 neurologia, cl\u00ednica m\u00e9dica, fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e nutri\u00e7\u00e3o \u2014, todos oferecidos de forma integral e gratuita pelo SUS.<\/p>\n<h2><strong>Fases da doen\u00e7a, segundo o\u00a0Minist\u00e9rio da Sa\u00fade\u00a0<\/strong><\/h2>\n<ul>\n<li>Est\u00e1gio 1 (forma inicial): altera\u00e7\u00f5es na mem\u00f3ria, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais;<\/li>\n<li>Est\u00e1gio 2 (forma moderada): dificuldade para falar, realizar tarefas simples e coordenar movimentos. Agita\u00e7\u00e3o e ins\u00f4nia;<\/li>\n<li>Est\u00e1gio 3 (forma grave): resist\u00eancia \u00e0 execu\u00e7\u00e3o de tarefas di\u00e1rias. Incontin\u00eancia urin\u00e1ria e fecal. Dificuldade para comer. Defici\u00eancia motora progressiva;<\/li>\n<li>Est\u00e1gio 4 (terminal): restri\u00e7\u00e3o ao leito. Mutismo. Dor ao engolir. Infec\u00e7\u00f5es intercorrentes.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Fonte: Brasil 61<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O primeiro contato de Cosette Castro, uma das coordenadoras do Coletivo Filhas da M\u00e3e, com uma dem\u00eancia, foi atrav\u00e9s da m\u00e3e, diagnosticada com Alzheimer em 2011. Alguns anos depois, o tio tamb\u00e9m teve o diagn\u00f3stico. Ela conta que cuidou da m\u00e3e por quase 10 anos, at\u00e9 seu falecimento em 2021. 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