{"id":12309,"date":"2022-03-19T06:31:09","date_gmt":"2022-03-19T09:31:09","guid":{"rendered":"https:\/\/radioborborema.com.br\/?p=12309"},"modified":"2022-03-19T06:31:09","modified_gmt":"2022-03-19T09:31:09","slug":"pobreza-menstrual-falta-de-absorventes-prejudica-saude-fisica-e-atrapalha-mulheres-na-escola-e-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioborborema.com.br\/index.php\/2022\/03\/19\/pobreza-menstrual-falta-de-absorventes-prejudica-saude-fisica-e-atrapalha-mulheres-na-escola-e-no-trabalho\/","title":{"rendered":"Pobreza menstrual: falta de absorventes prejudica sa\u00fade f\u00edsica e atrapalha mulheres na escola e no trabalho"},"content":{"rendered":"<p>As mulheres menstruam pela primeira vez, em sua maioria, entre 12 e 15 anos. Passam entre 3 e 7 dias de cada m\u00eas com sangramentos. Isso ocorre at\u00e9 a menopausa, que chega por volta dos 50 anos. Para conseguir manter a rotina de higiene, elas precisam ter acesso a, pelo menos, seis absorventes menstruais por dia durante o per\u00edodo menstrual. Entre os descart\u00e1veis, a unidade sai em torno de 30 centavos, o que significa um gasto aproximado de R$ 12,60 para uma mulher que passa sete dias menstruada.<\/p>\n<p>Para oferecer absorventes a mulheres que n\u00e3o possam compr\u00e1-los, no Dia Internacional da Mulher (08\/03), o presidente da Rep\u00fablica, Jair Bolsonaro, publicou decreto com a \u00a0<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/secretariageral\/pt-br\/noticias\/2022\/marco\/governo-regulamenta-o-programa-de-protecao-e-promocao-da-saude-menstrual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">regulamenta\u00e7\u00e3o <\/a>do Programa de Prote\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade Menstrual, ap\u00f3s vetar trechos da lei que criava o programa. A <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2019-2022\/2021\/Lei\/L14214.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lei <\/a>que prev\u00ea estrat\u00e9gias para combater a precariedade menstrual entre mulheres em condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade foi aprovada pelo Senado em outubro de 2021, mas seis trechos foram vetados pelo presidente sob a justificativa de falta de previs\u00e3o de fontes de custeio ou medidas compensat\u00f3rias, conforme preconiza a Lei de Responsabilidade Fiscal. Al\u00e9m disso, na ocasi\u00e3o, o presidente justificou que a medida feria a autonomia das unidades de ensino. No \u00faltimo dia 10 de mar\u00e7o, o Congresso Nacional derrubou os vetos do presidente Bolsonaro aos trechos da lei que cria o Programa de Prote\u00e7\u00e3o e Promo\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade Menstrual.<\/p>\n<p>\u201cFoi um dia hist\u00f3rico para a bancada feminina do Congresso, da qual eu fa\u00e7o parte. A derrubada do veto sobre o assunto pobreza menstrual foi de extrema import\u00e2ncia para as mulheres que vivem em vulnerabilidade social, principalmente, as estudantes que n\u00e3o t\u00eam acesso a esse item\u201d, comentou a deputada federal Aline Gurgel (Republicanos\/AP).<\/p>\n<p>Entre os senadores, 64 votaram pela derrubada dos vetos e um foi favor\u00e1vel \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o. Entre os deputados federais, 425 manifestaram a discord\u00e2ncia com os vetos do presidente e 25 votaram pela continuidade dos vetos.<\/p>\n<p>Com a derrubada do veto estima-se que o programa ir\u00e1 atender cerca de 5,6 milh\u00f5es de meninas e mulheres. O decreto do governo era menos abrangente: deve contemplar pouco mais de 3 milh\u00f5es de meninas e mulheres. Beneficia apenas as meninas e mulheres que est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de rua, aquelas de 12 a 21 anos que cumprem medidas socioeducativas e estudantes de 9 a 24 anos de idade matriculadas em escolas que integram o programa Sa\u00fade na Escola. Para a execu\u00e7\u00e3o do programa, o governo destinou R$ 130 milh\u00f5es.<\/p>\n<h2>Perfumaria<\/h2>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"\/\/s3-sa-east-1.amazonaws.com\/agencia-radio-arb\/4975\/content_Aline_Gurgel_Pablo_Valadares_C%C3%A2mara_dos_Deputados.jpg\" alt=\"Foto: Pablo Valadares \/ Ag\u00eancia C\u00e2mara\" \/><\/p>\n<p>A deputada federal Aline Gurgel explica que, atualmente, os absorventes menstruais s\u00e3o classificados como item de perfumaria, o que acaba onerando o pre\u00e7o final do produto por conta da taxa\u00e7\u00e3o de impostos. Por isso, a deputada defende que os absorventes devem ser considerados como itens de cesta b\u00e1sica.<\/p>\n<p>A deputada apresentou o<a href=\"https:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/prop_mostrarintegra?codteor=2081050\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> PL 2946\/2021 <\/a>que prop\u00f5e a altera\u00e7\u00e3o das al\u00edquotas de PIS, PASEP e COFINS para absorventes. &#8220;Alem de baratear o custo, a medida facilitar\u00e1 a quest\u00e3o de repasse do item pelo Governo Federal. O governo doa o que \u00e9 b\u00e1sico. Considerando os absorventes assim, poder\u00e1 facilitar o processo de transfer\u00eancia para tantas brasileiras que precisam&#8221;, argumenta.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 pobreza menstrual?<\/h2>\n<p>Num pa\u00eds em que 28 milh\u00f5es de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, segundo estudo da <a href=\"https:\/\/cps.fgv.br\/destaques\/fgv-social-lanca-pesquisa-desigualdade-de-impactos-trabalhistas-na-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FGV Social<\/a>, a compra de absorventes fica em segundo plano, o que exp\u00f5e as mulheres a condi\u00e7\u00f5es ainda mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>A oficial de Programa para Seguran\u00e7a de Insumos em Sa\u00fade Sexual e Reprodutiva do Fundo de Popula\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (UNFPA) Brasil, Nair Souza, defende que a pobreza menstrual denuncia problemas de ordem econ\u00f4mica, social e educacional. Ela pondera que, al\u00e9m do absorvente, \u00e9 fundamental que quem menstrua tenha acesso a recursos b\u00e1sicos como \u00e1gua para higiene. \u201cA priva\u00e7\u00e3o de acesso a esses elementos pode afetar a sa\u00fade, a mobilidade, a dignidade dessas meninas e adolescentes\u201d, assegura.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/relatorios\/pobreza-menstrual-no-brasil-desigualdade-e-violacoes-de-direitos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estudo <\/a>realizado pela UNFPA e pelo Unicef mostrou que cerca de 713 mil meninas n\u00e3o t\u00eam banheiro com chuveiro ou sanit\u00e1rio em casa, 900 mil n\u00e3o disp\u00f5em de \u00e1gua encanada e 6,5 milh\u00f5es de brasileiras vivem em casas sem liga\u00e7\u00e3o com a rede de esgoto. \u201cDo ponto de vista da sa\u00fade emocional, a urg\u00eancia de boas condi\u00e7\u00f5es para o cuidado da sa\u00fade menstrual pode vir a causar desconforto, inseguran\u00e7a, estresse. Al\u00e9m de contribuir pra aumentar a discrimina\u00e7\u00e3o dessas meninas que menstruam e causar sentimentos de baixa autoestima. Portanto, a pobreza menstrual tamb\u00e9m resulta em sofrimento ps\u00edquico\u201d, exp\u00f5e Nair Souza.<\/p>\n<h2>Sa\u00fade em risco<\/h2>\n<p>No livro \u201cPresas que menstruam&#8221;, a jornalista Nana Queiroz conta que as internas do sistema carcer\u00e1rio costumam utilizar miolo de p\u00e3o velho no lugar do absorvente menstrual. Al\u00e9m dessa t\u00e9cnica, a coloca\u00e7\u00e3o de farinhas, panos absorventes ou papel higi\u00eanico tamb\u00e9m s\u00e3o usadas para a conten\u00e7\u00e3o do fluxo. A ginecologista \u00a0Giane Cezimbra alerta que t\u00e9cnicas como essas colocam a sa\u00fade das mulheres em risco. \u201cA utiliza\u00e7\u00e3o de materiais ou objetos inadequados para conter o fluxo menstrual aumenta a chance de infec\u00e7\u00f5es urogenitais, como candid\u00edase e infec\u00e7\u00f5es urin\u00e1rias. A mulher tamb\u00e9m pode sofrer com alergia e irrita\u00e7\u00e3o local, que causam coceira intensa e desconforto. Materiais inadequados tamb\u00e9m podem ferir a genit\u00e1lia\u201d, alerta a m\u00e9dica.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/relatorios\/pobreza-menstrual-no-brasil-desigualdade-e-violacoes-de-direitos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Pobreza Menstrual no Brasil<\/a> mostrou que 4 milh\u00f5es de meninas sofrem alguma priva\u00e7\u00e3o para lidar com a rotina escolar durante o per\u00edodo menstrual. \u201cDesde a falta de papel higi\u00eanico, \u00e0 falta de um banheiro adequado com pia, sab\u00e3o, tranca para privacidade\u201d, explica Luiza Leit\u00e3o, oficial do Programa de Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cUma mulher com fluxo intenso carente de um material absorvente adequado precisar\u00e1 ir ao banheiro a cada uma hora, no m\u00ednimo. Sendo assim, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel realizar as tarefas b\u00e1sicas do cotidiano, como, por exemplo, trabalhar e estudar, o que pode gerar sintomas de ansiedade e at\u00e9 depress\u00e3o\u201d, contextualiza a mestre em F\u00e1rmacos e Medicamentos Juliana Penso.<\/p>\n<p>Para Luiza Leit\u00e3o, da Unicef, o assunto ainda \u00e9 um tabu na sociedade. \u201cTer acesso a absorventes \u00e9 um direito b\u00e1sico para atender a uma situa\u00e7\u00e3o regular na vida de pessoas que t\u00eam \u00fatero\u201d, defende.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Brasil 61<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres menstruam pela primeira vez, em sua maioria, entre 12 e 15 anos. Passam entre 3 e 7 dias de cada m\u00eas com sangramentos. Isso ocorre at\u00e9 a menopausa, que chega por volta dos 50 anos. 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